Quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2007

Á procura de ...

Viemos para a rua à procura de pessoa que retratassem os tipos sociais da sociedade actual.

O entrevistador começa a sua entrevista de rua procurando as pessoas que retratem as classes sociais mais representativas. A primeira pessoa encontrada foi um Empresário (fidalgo):
Entrevistador: Bom dia. Posso lhe fazer uma pergunta?
Empresário (fidalgo): Tenho um pouco de pressa é que eu tenho uma reunião importante daqui a vinte minutos… bem diga lá então.
 Entrevistador: Imagine que morria amanhã. Como avaliaria o seu contributo para a sociedade actual?
 Empresário (fidalgo): isso é um ponto de vista quase estapafúrdio já que eu tenho muito dinheiro e uma pessoa como eu não morre assim de um momento para o outro mas mesmo assim, vou responder-lhe sinceramente: Eu estou de consciência tranquila porque devo ser o Homem que já contribuiu mais para o bem da humanidade, olhe por exemplo ainda à cerca de três anos criei novas infra-estruturas nos subúrbios de Lisboa em que dei emprego a diversas pessoas, com as mais variadas origens …
 Entretanto aproxima-se um vagabundo que se intromete na conversa.
Vagabundo (Parvo): Vais pro Inferno, à vais vais, à pois vais... Bem isso não é bem assim pra já para criar essas infra na sei quantas teve de mandar a baixo uma escola e por outro lado eu fui lá pedir emprego e vocês mandaram-me dar uma volta…
 Entrevistador: Confirma estas acusações?
 Empresário (fidalgo): (com desdém) Decerto essa espécie de pessoa que está aí não tem as habilitações necessárias para o emprego que pediu…
 Vagabundo (Parvo): Vais pro Inferno, à vais vais, à pois vais... Agora para se ser varredor é preciso tirar um curso?
 Empresário (fidalgo): (com ar de acusação no rosto) Bem voltando ao nosso assunto acho que ninguém tem razões de queixa para com a minha pessoa, principalmente a minha mulher, o meu cunhado, o meu sobrinho a quem dei um grande estatuto nesta sociedade. Neste momento o dever chama-me e tenho uma reunião à qual não devo faltar.
Continuando na sua entrevista de rua avista um Juiz...
Entrevistador: Bom dia Drº Juiz. Posso lhe fazer uma interpelá-lo por uns instantes?
Juiz (Corregedor): Sim sim, diga lá.
Entrevistador: Imagine que o Mundo acabava amanhã. Como avaliaria o seu contributo para a sociedade actual?
Juiz (Corregedor): Que pergunta curiosa… ! O melhor possível não lhe parece?!... Olhe só em seu redor: ando de Porche Cayenne, vivo numa mansão, de quinze em quinze dias vou passar o fim-de-semana ao estrangeiro  no meu avião particular, tenho três meses de férias, possuo casas em diferentes partes do país, os meus filhos frequentam as melhores escolas...
Entrevistador: Mas isso para si é significa uma actuação correcta?!
Juiz (Corregedor): Claro! Se não tivesse resolvido casos importantes, acha que poderia usufruir de todas estes prazeres? Nem todos os juízes vivem deste modo!... Mas se quer que concretize, posso lhe dar alguns exemplos do meu bem sucedido trabalho: lembra-se do caso "Apito Dourado" e do suposto envolvimento do Major Valentim Loureiro? É verdade, fui eu que permiti que saísse em liberdade, tenho contudo de reconhecer a preciosa parceria que consegui com os seus advogados...
 Mais uma vez o vagabundo que continuava a trás do entrevistador mete a sua “colherada” e diz…
Vagabundo (Parvo): Vais pro Inferno, à vais vais, à pois vais... Ah, aquele que parece que suborna tudo e todos?!... Aquele que lá em Gondomar oferece frigoríficos para ganhar as eleições?!...
Juiz (Corregedor): E se assim for, qual é o mal que advém daí? Todos ficam satisfeitos: uns passam a ter mais qualidade de vida e o outro ganha as eleições para poder prosseguir com os seus objectivos.
Vagabundo (Parvo): Qualidade de vida?!... Como se deixaram de ter onde viver?!... As suas casas foram demolidas para construir um centro comercial... De que lhes serve os frigoríficos?!
Juiz (Corregedor): Pois, pois, é o preço a progresso... Agora se me dão licença tenho de me ir embora, pois tenho o João Pinto à espera para mais uma jantarada...
Entrevistador: E assim foi a entrevista ao Juiz(Corregedor) mas vamos agora tentar encontrar outras pessoas...Ora bem Srº Padre, podia-me dar alguns minutos da sua atenção.
Padre (Frade):Claro meu filho diga.
Entrevistador: Imagine que morria amanhã. Como avaliaria o seu contributo para a sociedade actual.
Padre (Frade):Bom acho que se morresse amanhã, o balanço seria positivo, pois passeia-a ajudar o próximo. Fiz tudo o que um padre faz: ajudar, rezar, confessar, divertir-me. Senhor entrevistador acha que um padre neste mundo pode pecar?
Mendigo (Parvo): Este é o Padre mais dedicado no seu trabalho que eu conheço, trabalha no duro até de noite, vejo-o muitas vezes levar as “meninas” ali da esquina para a sua casa. Só poderá ser p’ás confessar.
Entrevistador (Gil Vicente):O que tem a dizer-me dos padres acusados de pedofilia nos EUA?
Padre (Frade):Bem… isso… há Padres que se perdem por caminhos menos claros…são as tentações do diabo. Mas estou convicto que se arrependeram do que fizeram e que Deus lhes perdoará.
Mendigo (Parvo):isso é pergunta que se faça ao Srº Pior?  Ele até dá a catequese aos meninos da sua paróquia e até lhes pisca olho de vez em quando
Entrevistador (Gil Vicente): Qual a sua opinião sobre o aborto? Condena?
Padre (Frade):Lamento não poder responder a essa questão pois tenho um casamento para ir celebrar. Que Deus esteja convosco, um resto de um Bom Dia.
Entrevistador Bem, vou tentar uma pessoa que me diga algo de bom. Olha ali vai um médico. Espere um pouco, por favor. Bom dia! Será que posso colocar-lhe uma questão.
Médico Sim diga!
Entrevistador
Imagine que morria amanhã. Como avaliaria a o seu contributo para a sociedade actual?
Médico Quem sou eu para julgar alguém? Um bom e humanitário médico, antes de avaliar os outros, deve avaliar-se a si próprio. Eu sou apenas um servo de deus que se limita a dar apoio a pessoas necessitadas e que nada têm. Não me considero uma pessoa importante mas acima de tudo sei que contribui para o bem-estar pessoal de muitos.
Entrevistador – Se tivesse de eleger três objectivos para a sua vida, quais escolheria?
Médico
– A minha missão sempre foi e continua a ser acabar com a fome, as desigualdades, e consequentemente, com a pobreza. Se conseguir dar um sorriso a uma pessoa desesperada, então os meus objectivos estão a ser atingidos.
Assim damos por terminada a nossa reportagem relativa à caracterização das classes sociais mais representativas da nossa época e que de alguma forma se relacionam com os tipos sociais do "Auto da Barca do Inferno". Do balanço efectuado concluimos que a maioria das pessoas iriam para o Inferno.
publicado por a_barca_vicentina às 17:14
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